Mensagem da Semana

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domingo, 30 de agosto de 2009

Denúncias apontam adulteração de gasolina em postos de Caxias


CAXIAS - A Câmara Municipal de Caxias convocará representantes da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para que seja feita uma análise do combustível vendido nos postos do município. Semana passada, chegou até os vereadores denúncia que diversos postos de gasolina estariam vendendo combustível adulterado.

A denúncia foi feita na tribuna da Casa pelo vereador Antônio Albuquerque Catulé (PSDB). Ele mesmo já se disse vítima algumas vezes da gasolina “batizada”. O vereador argumentou que as queixas não são atuais e já denunciou o fato no Legislativo há mais de três anos e que só agora a Câmara Municipal tomará uma postura mais rígida.

“Nós sabemos quais são esses postos. Quem vende gasolina confiável e quem não vende. É preciso que tomemos uma medida enérgica para coibir essa prática. É nossa obrigação alertar a população para o que está ocorrendo, já que não há órgãos específicos em nossa cidade que possa fazer essa fiscalização”, argumentou Catulé.

Após a denúncia, a Câmara instaurou uma comissão que apurará o fato e acionará a Agência Nacional do Petróleo. A estimativa é que em 15 dias a fiscalização comece. Conforme os vereadores, a situação nos postos de gasolina de Caxias é tão crítica que pelo menos 80% dos estabelecimentos estão adotando a prática criminosa.

A equipe de O Estado tentou falar com pelo menos três proprietários de postos de combustível em Caxias, mas quando questionados sobre o assunto, eles se negaram a conceder entrevista.

O uso de gasolina adulterada, além de causar estragos no veículo, o proprietário se vê obrigado a gastar ainda mais com uma oficina. Quem já foi vítima do combustível adulterado sabe o prejuízo que causa ao veículo.

Paulo de Araújo, representante comercial de uma marca de confecções, disse que já teve que voltar do de uma viagem que faria para Imperatriz porque o seu veículo começou a apresentar problemas, logo após ter abastecido em um dos postos de Caxias.

“O motor começou a ‘chacoalhar’, como se o carro quisesse estancar. Ainda pensei que fosse outra coisa e não tive como seguir viagem. Voltei, ainda bem que estava perto do posto da Polícia Rodoviária Federal. Quem confirmou que era gasolina “batizada” que encheram o tanque do meu carro foi o meu mecânico”, reclamou Araújo.

Cilada

Para não cair em outra cilada como essa, o representante adotou uma medida drástica. Em Caxias, só abastece em um único posto. A mesma medida adotada pelo professor de Matemática Carlos Alberto Gonçalves. Ele teve problemas com gasolina adulterada e agora se diz fiel a um único posto.

“Se não for assim, seu veículo acaba correndo muito risco porque hoje a gente não pode confiar em ninguém e muito menos parar para fazer aquele teste de qualidade em todo posto que chega”, analisou o professor. Fazer o teste não é mesmo um hábito dos caxienses.

O mecânico Luis Pereira disse que se o consumidor adotasse esse hábito, na sua oficina dificilmente casos desse tipo seriam atendidos. “Tem dono de carro e moto que é assim, vai abastecendo em qualquer lugar e quando vê o carro já deu problema e nem sabe por que, pois eles não creditam que isso possa acontecer em Caxias”, destacou o mecânico.

Consumidor é que fica com prejuízo

Gasolina adulterada é aquela que não está dentro das especificações legais, ou seja, que apresenta mais álcool ou mais solventes do que a lei permite. Apesar de a lei fixar em 2% o limite máximo de solvente a ser misturado na gasolina e em 24% o do álcool, muitos postos não estão respeitando esses valores.

Isso ocorre porque ao adulterar a gasolina, aumentando a mistura de solventes, que são produtos químicos mais baratos, o proprietário do posto melhora a rentabilidade do negócio em até 10%. O lucro fácil para o dono do posto representa, porém, possível prejuízo para o consumidor.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) é a responsável pela fiscalização da rede de distribuidoras e postos de combustíveis, mas conta com apenas 85 fiscais para inspecionar as 170 distribuidoras e cerca de 23.000 postos.

Com cerca de um quarto dos postos desrespeitando as normas de composição da gasolina, segundo estimativa do Sindicato das Distribuidoras e Revendedoras de Combustíveis, a ANP aconselha o consumidor a procurar as grandes redes, que, segundo ela, são as mais confiáveis.

Cartel

Como se não bastasse a denúncia da venda de combustíveis adulterados, os vereadores também denunciam a existência de um cartel nos preços dos combustíveis. Pelo menos nos postos localizados no centro de Caxias essa prática está descartada, pois a diferença de preços entre eles supera em até quatro centavos para mais ou para menos.

Os legisladores acreditam que esse cartel exista na cobrança dos preços. Para os vereadores, o combustível caxiense, apesar de comprado no Porto do Itaqui, em São Luís, ainda é o mais caro do estado porque, em Caxias, existe um cartel.


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